Com preços nas alturas, reclamações contra companhias aéreas disparam
Além dos preços elevados, passageiros sofrem com atrasos, cancelamentos e problemas com reembolso; governo criou comitê e promete agir

Não são apenas os preços das passagens aéreas vendidas pelas companhias brasileiras que têm disparado nos últimos meses. As reclamações dos consumidores em relação à baixa qualidade dos serviços prestados também vêm aumentando, o que mostra como viajar de avião pelo país, mesmo que para relaxar durante as férias, tornou-se uma experiência cada vez mais difícil e penosa.
Dados da plataforma consumidor.gov.br, da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), que permite a comunicação direta entre consumidores e empresas para a solução de conflitos, indicam que, entre janeiro e novembro de 2023, 87.555 passageiros haviam registrado queixas sobre o serviço prestado pelas companhias no país.
Considerando apenas as reclamações sobre atraso de voos, por exemplo, foram 3.658. O número mais do que triplicou em um período de cinco anos – em 2018, foram 1.027 (aumento de 256%). Em 2022, o total de queixas sobre atrasos foi de 2.330.
A maior parte das reclamações está relacionada ao atraso na devolução de valores pagos indevidamente pelos clientes ou a problemas com reembolso por parte das companhias aéreas. Também são muito citados cancelamentos de voos, ofertas não cumpridas e publicidade enganosa.
A empresa de tecnologia AirHelp, que auxilia consumidores que se sentiram lesados pelas companhias, estima que mais de 2 milhões de passageiros foram afetados por atrasos ou cancelamentos de voos entre janeiro e agosto do ano passado, o que representa incremento de 25,8% em relação ao mesmo período de 2019. Em média, um em cada 30 passageiros sofreu com atrasos superiores a 2h ou cancelamentos.
O cenário é tão preocupante que o governo federal decidiu, em dezembro, criar um comitê para discutir eventuais medidas que melhorem o atendimento aos consumidores no setor aéreo. O órgão deve ser composto por representantes da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), das principais companhias aéreas do Brasil e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que regula o setor. A primeira reunião deve ocorrer nos próximos dias.



