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De problema familiar a tráfico humano: saiba as principais causas de desaparecimentos no Brasil

Mais de 200 pessoas sumiram por dia no país só em 2022; para especialistas, entender o motivo é crucial para solucionar os casos

No ano passado, o Brasil registrou 74.061 desaparecimentos, ou seja: 203 pessoas sumiram em média por dia, conforme os dados recentes do FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública).

Fatores como problemas familiares, distúrbios mentais, envolvimento com drogas, assassinatos e tráfico humano são citados por investigadores e especialistas como as principais causas desses desaparecimentos.

Raquel Gallinati, delegada e diretora da Adepol (Associação dos Delegados de Polícia) do Brasil, considera esses sumiços sem resposta uma “complexa teia de circunstâncias que contribui para o cenário preocupante”, uma vez que os motivos variam de pessoa para pessoa. Mas entendê-los, ela ressalta, é crucial para obter soluções.

O desaparecimento voluntário ocorre em torno de 70% dos casos, diz o produtor audiovisual Anderson Jesus, responsável pelo canal Desaparecidos, no YouTube – que já divulgou centenas de casos em todo o Brasil e tem ajudado familiares.

As motivações, por sua vez, variam de conflitos com pai e mãe a juramento de morte, seja por dívida, seja briga entre facções. Apesar de o desaparecimento voluntário estar entre as principais causas, Anderson Jesus ressalta que são esses os casos que têm a maior taxa de resolução.

“É o pai que formou família em outro lugar e abandona a que já tem sem mais nem menos. Aí os filhos, a mulher ficam preocupados, o procuram e depois descobrem que ele quis ir embora. Ou casos em que os pais não deixam a filha se relacionar com certa pessoa, e ela decide fugir”, detalha.

Outro fator representativo de sumiços de pessoas no Brasil é a saúde. Indivíduos diagnosticados com distúrbios mentais, como esquizofrenia, Alzheimer e autismo, tendem a desenvolver mania de perseguição e fogem. Há ainda os casos de poriomania, que é uma obsessão doentia por andar. Em alguns deles, os pacientes andam até não serem mais encontrados e não conseguem voltar para casa.

Ivanise Esperidião, fundadora do grupo
Mães da Sé, ainda busca pela filha,
que está desaparecida desde 1995

vício em drogas também entra no tópico da saúde. Às vezes, a pessoa deseja sumir sem avisar, para não gerar problemas à família.

Há casos de desaparecimentos ainda mais trágicos, quando ocorrem assassinatos, e a família da vítima a procura por meses ou anos sem saber que ela não está mais viva.

“São pessoas mortas por facções, ou até mesmo pela polícia, e ninguém sabe”, explica Anderson Jesus. Nessas situações, os corpos das vítimas podem não ser localizados nunca mais – alguns são enterrados pelo assassino ou vão parar em valas comuns como indigentes.

Já o tráfico de pessoas ocorre majoritariamente com crianças e “visa à exploração sexual, ao trabalho escravo e ao tráfico de órgãos”, informa a diretora da Adepol Brasil.

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