
Para o advogado Sérgio Alonso, que atuou no caso Marília Mendonça, os pilotos falharam ao tentar pousar sem as condições adequadas
A queda de um avião na cidade de Barcelos (AM), em acidente que matou 14 pessoas, teria sido provocada por um erro operacional grave, culposo, por parte dos pilotos, que teriam ignorado as condições adversas do templo, em um momento que chovia torrencialmente na região.
As conclusões são do advogado especialista em direito aeronáutico, Sérgio Alonso, que também atuou no caso da cantora Marília Mendonça, também vitimada por um acidente aéreo, em novembro de 2021.
“Esse avião [com o grupo de turistas], do ponto de vista técnico, não poderia ter pousado ali naquele horário, porque aquele aeródromo só opera em condições por voo visual”, afirmou Alonso. “Há um claro erro operacional e [o avião] não deveria ter feito aquilo que fez”, completou.
Entre as vítimas do voo de Barcelos, estão seis executivos de Minas Gerais, cinco goianos e um médico-cirurgião do Distrito Federal.
O advogado explicou que, tão logo percebida a chuva intensa que caía, era preciso que os pilotos optassem pelo pouso em outro aeroporto, onde não houvesse o temporal. Segundo Alponso, o problema começou quando o piloto decidiu pousar em Barcelos.
“Ele deveria ter ido para um aeroporto alternativo e ele tentou o pouso. Chovia muito, pousou com vento de cauda e pousou no meio da pista. Chovia tanto que o avião sequer pegou fogo com o acidente”, explicou o advogado.
Vento de cauda é quando a corrente de ar está a favor do avião e isso pode prejudicar o pouso e causar acidentes, uma vez que empurra a aeronave, aumento sua velocidade.
A legislação prevista para as regras visuais de voo, baseada no Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA), estabelece que é preciso, no mínimo, 300 metros de distância na altura entre a pista e a nuvem e 5 quilômetros de visibilidade do horizonte. Fatores não cumpridos devido à baixa visibilidade proporcionada pela chuva intensa.



