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Delegacia de Crimes Cibernéticos alerta sobre exposição de fotos íntimas

De janeiro a junho de 2023, o Governo do Amapá contabilizou mais de 3,7 mil denúncias de crimes contra a mulher. Entre as violações praticadas, está a exposição de imagens íntimas, um ato que provoca medo e sofrimento. Em seis meses, de acordo com a Polícia Civil, a Delegacia de Crimes Cibernéticos registrou cinco casos deste tipo de crime.

O Governo do Amapá possui uma estrutura com órgãos para acolher a mulher em situações de violência moral, sexual, psicológica, patrimonial e física. Em casos de vazamento de imagens íntimas, a mulher pode procurar a Secretaria de Mulheres, ou os Centros de Referência à Mulher (Cram’s) e Centro de Atendimento à Mulher e a Família (Camuf).

Também há o Núcleo de Acolhimento às Mulheres Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais (AMA-LBTI). Outras portas de entrada são a Delegacia de Crimes Virtuais ou a Delegacia de Crimes Contra a Mulher. Em todos esses espaços a vítima será acolhida e orientada a registrar denúncias para as medidas legais.

Crimes virtuais

A delegada titular da Delegacia de Crimes Cibernéticos, Áurea Uchoa, explica que os crimes de natureza íntima, na maioria das vezes, ocorrem em um cenário familiar, em que a vítima tem algum tipo de relação com a pessoa, e o infrator acaba expondo a intimidade da pessoa, que, de forma anterior e voluntária, havia enviado o conteúdo. Geralmente isso ocorre após um desentendimento ou fim de relacionamento.

“Outra situação é a invasão do dispositivo, com extração do material íntimo da vítima para, posteriormente, exigir quantia em valores para não divulgação. Em ambos os casos, o infrator responde criminalmente. A orientação é que nunca se envie fotos ou vídeos íntimos, mesmo que a pessoa tenha relacionamento de longa data. Se ainda assim a pessoa enviar, todo cuidado é pouco. Mesmo em caso de mensagem temporária, a outra pessoa pode filmar ou fotografar por um segundo telefone”, alertou a delegada.

  • Amparo psicológico

De acordo com a Secretaria de Estado de Políticas para Mulheres (SEPM), uma das graves consequências de um vazamento indevido e sem consentimento de fotos íntimas é o impacto negativo na estrutura emocional da mulher, por isso, o acompanhamento psicológico é essencial, como aponta a psicóloga Sabrina Azevedo, do Centro de Atendimento à Mulher e à Família (Camuf), em Macapá.

“Provoca a sensação de constrangimento, vergonha e humilhação da vítima, pois atinge sua honra e saúde mental. O grande gatilho motivador do adoecimento psicológico é a desapropriação do corpo da pessoa que teve sua intimidade exposta, já que ela deixa de ter o controle de onde aquela imagem chegará”, alerta a profissional.

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