Polícia

Advogado ‘lobista’ é alvo na 3ª fase da operação “Queda da Bastilha’

PF e Gaeco investigam uma organização criminosa com atuação dentro e fora do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen)

Elden Carlos / Editor

A Polícia Federal (PF) cumpriu um mandado de busca e apreensão na manhã desta quarta-feira (26) durante a 3ª fase da operação ‘Queda da Bastilha’, que investiga uma organização criminosa com atuação dentro e fora do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen), responsável por diversos crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, falsidade ideológica, prevaricação, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. A operação ocorre em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Amapá (MP-AP).

O alvo desta quarta-feira foi um advogado residente no bairro Cabralzinho, localizado em frente ao presídio estadual. Segundo a PF, após a segunda fase da operação foram identificados fortes indícios de que o advogado oferecia vantagens indevidas (dinheiro) a servidores do presídio para obter pareceres favoráveis para concessão de progressão de regime facilitado, por meio de tratamentos de saúde monitorados, além de impedir a transferência de líderes de facções para presídios federais.

Ainda de acordo as investigações, foi apurado que um coordenador de tratamento penal era o responsável por subscrever documento que atestava a inexistência de tratamento médico dentro do estabelecimento prisional. Isso garantia ações judiciais para instruir pedidos de prisão domiciliar.

Apesar da atuação, o advogado não tinha registro de habilitação junto aos presos, como no caso do líder de facção Ryan Richelle dos Santos Menezes, o ‘Tio Chico’, de 29 anos, que foi transferido no dia 23 de setembro deste ano para o presídio federal de Mossoró, distante 267 quilômetros de Natal, capital do Rio Grande do Norte (RN).

“A investigação apontou indícios que o advogado atuaria como uma espécie de intermediário “lobista” em pedidos ilícitos para presos custodiados no Iapen”, diz trecho da nota emitida pela PF.

Operação Queda da Bastilha

Ryan Richelle foi um dos presos na Operação Queda da Bastilha, deflagra no dia 14 de setembro pela Polícia Federal (PF) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Amapá (MP-AP), que investiga uma organização criminosa altamente estruturada e que gerenciava crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, falsidade ideológica, prevaricação, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Um dos presos na operação foi o delegado da Polícia Civil, Sidney Leite, que se licenciou da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE) para disputar o cargo de deputado estadual nas eleições gerais deste ano.

Sidney Leite teve a prisão preventiva decretada por supostamente ter facilitado a saída de um líder de facção criminosa, por meio de um esquema de laudos médicos falsos dentro do Iapen. Em uma troca de mensagens interceptada pela PF, Sidney acerta detalhes da saída de ‘Tio Chico’, líder da mais violenta facção em atividade no Amapá.

Pelo esquema, um médico – intermediado por advogados – emitia laudos falsos atestando doenças graves para os detentos serem autorizados a cumprir a pena em regime domiciliar. O delegado licenciado teria entrado em contato com o responsável pelo esquema para facilitar a saída de Ryan, pedindo na conversa que: “Não o esqueça em seus planos”.

Para os investigadores, seria uma indicação de recebimento de vantagens indevidas. Em uma das conversas interceptadas, Ryan diz ter pagado R$ 150 mil para conseguir a prisão especial.

Sidney tentou, ainda, alugar um carro blindado para o dia que Ryan saísse da prisão, mas não conseguiu. O ex-titular da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes buscou também um local para o integrante da facção ficar hospedado após a saída do Iapen, e lamentou que se não fosse o uso da tornozeleira eletrônica, ‘Tio Chico’ poderia ficar escondido na casa do delegado.

No desdobramento da operação, a PF e Gaeco apreenderam celulares na cela do delegado, que está recluso no Centro de Custódia, e na enfermaria onde Tio Chico estava preso na cadeia pública.

Imagens: Divulgação/PF

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